Um retrato da Igreja de hoje
Textos: -
Apocalipse 2:4,5,14,15 e 20; 3:1 e 15
Introdução: - O que está acontecendo com a Igreja de
hoje? Esta pergunta, não me foi feita por nenhum membro da Igreja, nem tampouco
por membros de outras Igrejas. Não! Esta pergunta eu tenho feito a mim mesmo.
A igreja era para nós um oásis em meio à pobreza, a
ignorância educacional, a falta de saúde pública e muitas outras necessidades
experimentadas pela população de uma maneira geral. Tínhamos um profundo
respeito pela nossa Igreja, pois era constituída por pessoas, que outrora
viviam no pecado e que agora depois do seu encontro com Jesus eram pessoas
respeitadas na sociedade.
Ouvíamos
sempre dos comerciantes da época o seguinte: “Se é crente, eu vendo até
o mercado para ele, pois sei que é pessoa de bem, honesto, cumpridor de seus
deveres, bom vizinho, bom pagador, bom pai de família, bom empregado, principalmente
se for da Igreja tal!”
A Igreja
exalava o bom perfume de Cristo e por isto atraía muita gente para o seu meio.
O evangelho não só era pregado a todo pulmão nas praças ao ar livre, mas
pregado principalmente pela postura que a Igreja tinha diante de uma sociedade
ainda dominada pelas tradições religiosa deste país.
A
mensagem pregada pela Igreja era o genuíno Evangelho de Cristo, livre das
heresias que hoje a permeiam. As doutrinas estranhas ao Cristianismo eram logo
rechaçadas para que não causassem males espirituais ao rebanho do Senhor.
Indivíduos que surgiam, pregando novidades eram logo convidados a se retirarem
do meio da comunidade em que estavam, para que o bom nome de Cristo não fosse
manchado.
Mesmo os
membros da Igreja, tinham um cuidado extremo de fugir de novidades e heresias,
mesmo não tendo um conhecimento teológico primoroso. Tinham, entretanto, uma
coisa altamente benéfica à alma que é o Temor de Deus!
A igreja
tinha uma importância tão grande, que quando uma pessoa ficava doente, não era
o médico que seria procurado primeiro, mas o PASTOR o PRESBÍTERO ou o DÍACONO,
para que estes orassem ou mesmo dessem uma orientação sobre o que fazer nestas
ocasiões.
Eu mesmo,
quando criança, presenciei diversas vezes, pessoas que foram curadas de doenças
consideradas incuráveis pela medicina da época, através das orações dos líderes
da igreja que meus pais eram membros. Sou testemunha viva e ocular de um
milagre operado por Deus, em nossa igreja, quando um diácono da mesma que fazia
já algum tempo estava numa cadeira de rodas, recebeu uma “simples oração” de
alguns outros diáconos desta mesma igreja, e para honra e glória do nome do
Senhor Jesus, este homem voltou a andar normalmente.
Eu tenho
me perguntado nestes dias: “O que aconteceu com aquela igreja, para que
se tornasse esta instituição que hoje chamamos também de Igreja?”.
Orando e
pedindo que o Senhor me desse a sua preciosa graça de forma abundante,
lancei-me à tarefa de escrever este artigo, onde procuro fazer uma reflexão e
uma análise da forma mais simples possível, tentando ao mesmo tempo entender eu
mesmo o que está acontecendo com a Igreja do Senhor Jesus, bem como
esclarecendo aos leitores do mesmo, sobre as razões que levaram a Igreja ao
estado atual em que ela se encontra.
Para
tanto, debrucei-me sobre o livro de Apocalipse nos seus primeiros capítulos bem
como em parte da história da igreja nos seus primórdios, procurando aí fatos
que já no passado, suscitaram a mesma pergunta que faço hoje.
AS CARTAS
ÀS IGREJAS DA ÁSIA EM PARTE RESPONDEM A PERGUNTA!
As cartas
endereçadas às sete igrejas da Ásia têm interpretações diferentes no meio
evangélico. Uns afirmam que as igrejas aí mencionadas, representariam períodos
específicos da história, culminando a sétima carta à igreja de Laodicéia com o
início do século XX.
Outros
descartam esta interpretação, dizendo que as igrejas aí mencionadas eram
igrejas existentes na Ásia Menor, no final do século I. Independente de qual
interpretação que o querido leitor tiver, uma coisa é certa, elas representam
as principais condições que podem ser encontradas na igreja universal, em
qualquer período da história.
É debaixo
desta forma de entendimento que faço um relato de doutrinas e acontecimentos,
aí mencionados, com louvor ou censura às igrejas que receberam estas cartas.
A carta à
igreja em Éfeso (Ap 2:1-7)
Éfeso,
era a maior cidade da Ásia e o centro da administração romana daquela
província. Tomou o título de“Guardiã do Templo”, originalmente em
referência ao famoso templo de Ártemis, posteriormente, porém estende-se aos dois
ou três templos devotados ao culto dos imperadores.
Paulo
fundou aqui a igreja que se tornou o centro para a evangelização do resto da
província e aqui residia o apóstolo João. A igreja em Éfeso, consequentemente,
deve ter-se tornado a principal do leste, com a possível exceção de Antioquia.
Há estudiosos e escritores que sugerem que esta carta foi colocada em primeiro
lugar, não tanto pela importância da igreja, mas pela advertência que lhe foi
entregue.
O que
motivou a advertência à igreja em Éfeso?
A falta
dos efésios é talvez a perversão de sua principal virtude; sua oposição aos
falsos irmãos os conduzia a repreensão e dissensão dentro da igreja, levando-os
assim a deixar o seu primeiro amor.
Quando
pensamos no primeiro amor, sempre nos reportamos ao entusiasmo que toma conta
daqueles que se convertem ao Senhor Jesus. Dizemos que quando éramos novos na
fé, tínhamos mais disposição para evangelizar, para orar, para visitar os
enfermos e para irmos à igreja cultuar a Deus!
Agora,
não somos nem sombra do que éramos! Perdemos o primeiro amor! Será que é isto
que a carta menciona? Não há aí um equívoco, quanto ao que venha ser “primeiro
amor”?
Ao que
tudo indica falsos irmãos estavam misturados ao rebanho, causando dissensão.
Dissensão
é o ato de divergir, ou seja, discordar. No que eles os efésios discordavam
desses falsos irmãos? Tudo indica, que o motivo da discórdia, era a doutrina
dos nicolaítas. Nicolaítas eram seguidores do diácono Nicolau de Antioquia, um
dos sete diáconos escolhidos no início da igreja para servirem as mesas.(At
6:5). Deduzimos em (Ap 2:14-15) que eles mantinham o mesmo erro que os
balaamitas, a saber: ensinar a comer coisas sacrificadas aos ídolos e a
adulterar.
Foram
estas as principais matérias condenadas por decreto do concílio apostólico em
Jerusalém (At 15:29). É notável que os nomes de Balaão e Nicolau sejam cognatos
(Balaão – “Ele tem consumido o povo”; Nicolau – “Ele vence o
povo”).
Ao
pensarmos no tumulto que causaram estes falsos irmãos, com estas doutrinas,
veremos que a discussão gerou inimizades, onde o amor fraternal foi deixado de
lado, suplantado pelo extremo zelo dos efésios, que acabou se transformando em
ódio.
Falsas
doutrinas separam os melhores irmãos e amigos! Veja o G 12, o que tem feito: Por
causa de doutrinas estranhas ao meio evangélico, baseadas em “experiências
e novas revelações”, disseminadas dentro de igrejas outrora cordatas e
pacíficas, surgem divisões dando origens a grupos que acabam se odiando. Onde
está o amor fraternal, o primeiro amor? Podemos dizer que a falsa doutrina o
destruiu! È o começo do declínio.
Podemos
afirmar que esta é uma das razões que podem explicar o estado atual da Igreja!
Deus não pode operar no meio de divisões; o Senhor Jesus disse que “um
reino dividido não pode subsistir”. (Lc 11:17)
A carta à
igreja em Esmirna (Ap 2:8-11)
Esta
cidade era uma das mais prósperas na Ásia Menor e tomou o nome de “Metrópole”.
Ali os judeus constituíam uma colônia excepcionalmente numerosa e próspera; seu
antagonismo à igreja cristã aparece, não somente nesta carta, mas também na de
Inácio aos esmirnenses. Esta igreja, prestes a ser provada, necessitava
relembrar que o seu Salvador era o Senhor da história e conquistador da morte.
Por que o
louvor, e não reprimenda expressa nesta carta?
A igreja
na cidade de Esmirna, era uma igreja pobre materialmente falando, contrastando
com a riqueza material e a pobreza espiritual da igreja em Laodicéia!
Os judeus
ricos e opulentos, aliaram-se aos pagãos de Esmirna segundo relatos dos
próprios crentes, para blasfemarem contra Jesus, e eram capazes de blasfemar
contra Deus, o mesmo que eles confessavam.
Jesus
dirigindo-se ao Pastor daquela igreja, disse-lhes que não temessem os judeus,
aqui chamados de a sinagoga de Satanás.
"Conheço
a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si
mesmos se declaram judeus e não são, sendo antes, sinagoga de Satanás." (Ap 2:9).
O que
isto nos leva a refletir?
A
verdadeira igreja do Senhor, não deve ter vergonha de sua pobreza material, de
sua insignificância na sociedade dos ricos e opulentos. Ela deve manter-se fiel
ao seu Senhor, e nunca desprezá-lo.
Certo
membro do clero romano ouviu de um pontífice, logo após a construção da
Basílica de S. Pedro o seguinte: “Agora, não mais precisamos dizer não
temos ouro e nem prata”. Ao que lhe respondeu o clérigo: “Mas agora já
não podemos mais dizer em nome do Senhor Jesus, levanta e anda” obviamente
numa clara referência ao episódio de Pedro e João diante do paralítico na porta
do templo em Jerusalém.
Não é
porque somos muitas vezes desprovidos de condições materiais, que deixamos de
ser filhos do Rei! Esta é uma doutrina maligna, que penetrou no meio da Igreja,
levando um grande número de pessoas a abandonarem a fé porque não eram capazes
de conseguir riquezas materiais. Tinham vergonha de serem chamados “pobres”.
Lá no
Antigo Testamento, no livro do profeta Isaías no capítulo 41:14, Deus procura
valorizar o seu povo, chamado pelos gentios de povinho, dizendo o seguinte: “Não
temas, ó vermezinho de Jacó, povozinho de Israel; eu te ajudo, diz o Senhor, e
o teu Redentor é o Santo de Israel”.
O
apostolo Paulo diz que Deus usa as coisas fracas e vis e aquelas que não são,
paras confundir as que são.
A igreja
não precisa ter milhões para fazer a obra de Deus; o que ela precisa é da
preciosa e sublime Graça de Deus! È o que está faltando! Sobra dinheiro, mas
falta graça e a unção do Santo!
A carta à
igreja em Pérgamo
Pérgamo
era descrita por Aretas como “dada à idolatria mais do que toda a Ásia”.
Atrás da cidade situava-se uma colina, a mais de 300 metros de altitude,
coberta de templos pagãos.
Entre
eles o mais destacado de todos era o grande altar de Zeus, colocado sobre uma
plataforma, esculpido na rocha, dominando a cidade. O culto ao imperador foi
estabelecido ali primeiro que em Èfeso ou Esmirna, de sorte que posteriormente,
Pérgamo se tornou reconhecido centro do culto na Ásia. Daí dizia-se desta
igreja, que habitava onde está o trono de Satanás.
Os
versículos 14 e 15 de Ap 2 nos falam de forma bem clara, o motivo da
advertência mandada ao pastor desta igreja. Diz o texto o seguinte:
“Tenho,
todavia, contra ti algumas coisas, pois que tens aí os que sustentam a doutrina
de Balaão, o qual ensinava a Balaque a armar ciladas diante dos filhos de
Israel para comerem coisas sacrificadas aos ídolos e praticarem a prostituição.
Outrossim, também tu tens os que da mesma forma sustentam a doutrina dos
nicolaítas.”
O
ensinamento básico de Balaão era confundir assuntos espirituais e morais com interesses
materiais. O assunto refere-se aqui ao gnosticismo libertino, também mencionado
na carta de Judas 1 a 16.
Veja se
não é o que acontece em nossos dias no meio evangélico. Quantos versículos,
notadamente do Antigo Testamento, são distorcidos para se adequarem ao
pensamento comercial de algumas Igrejas e respectivamente seus pastores? São
poucos?
Quase
tudo que pode ser usado para manipular as emoções dos ouvintes, para
extorquir-lhes dinheiro é usado sem nenhum escrúpulo quanto às regras de interpretações
da Hermenêutica Bíblica! Veja alguns exemplos de distorções:
“Todo
lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu prometi a
Moisés.” (Js 1:3).
Imagine
você, se fosse esta simplória ou maldosa interpretação uma verdade, contida na
palavra, como não seria fácil de viver nestes dias! Você não precisaria mais
gastar dinheiro com praticamente nada! Olhou uma bela mansão, é sua! Uma
fazenda que você foi visitar pisou a planta de seus pés nela, é sua e de mais
ninguém! Ora! Prá que gastar dinheiro se tudo já é meu?!
A que se
refere o texto? As propriedades que os crentes atuais podem conquistar, somente
profetizando ou decretando a sua posse? Não!
O texto
fala dos limites geográficos da terra prometida (Js 1:4),com a responsabilidade
de Josué e de todo o povo, percorrerem este território para o ocuparem. Onde
pisar a planta de vosso pé, vo-lo tenho dado! É só isto e mais nada! O
território de Israel é muito pequeno; não houve uma atitude de conquistar
outras terras seguindo a promessa de Deus.
Ocuparam
somente o que lhes mandou, aliás, nem isto eles foram capazes de fazer, pois
quando Josué estava já para morrer, a Bíblia nos diz que havia muito território
para se possuir, mas Josué já era avançado em dias. (Js 13:1-13)
Onde a planta
dos pés dos israelitas não pisou, continuou a terra em posse dos gentios (Js
13:13)
Deus
falhou em sua promessa ou o povo não cumpriu o que lhe era ordenado?
Podemos
nos dias atuais, reivindicar para nós esta promessa? Não é confundir promessas
feitas a Israel, com sonhos de riquezas de hoje? É preciso distinguir o que é
promessa de natureza exclusiva dos judeus, o que é promessa de riqueza
espiritual, mesmo estando no Antigo Testamento, o que é ensino moral como o
livro de Próverbios, daquilo que Jesus nos prometeu! Em que lugar do Novo
Testamento, Jesus nos prometeu uma vida de abundantes riquezas materiais? Ele
nos dá vida e vida com abundância, não no sentido material, pois seria então um
Deus que faz acepção de pessoas, pois uns tem muito e outros não tem nada, isto
na Igreja.
A
confusão do que é espiritual com aquilo que é material, tem desviado a igreja
da rota! É o gnosticismo libertino ressuscitado!
Outro
exemplo clássico de aplicação de texto com sentido claramente espiritual
trazido para uma aplicação material é o texto do profeta Isaías no capítulo 53
versículos 4 e 5. Diz o texto:
“Certamente
ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e
nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. Mas ele foi
traspassado pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre
ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.”
A
interpretação que se tem dado a este texto pelos adeptos da “Confissão
Positiva” é de um total desconhecimento da própria Bíblia! Dizem e
ensinam, que Jesus já levou sobre si no Calvário as nossa doenças e
enfermidades e que agora é só aprender a determinar que você já está curado!
Se Jesus
já levou sobre si as nossas enfermidades, por que é que as pessoas continuam
morrendo, mesmo depois de serem salvas pelo Senhor Jesus Cristo? O sacrifício
de Cristo não é eterno, como diz a carta aos Hebreus? Ou o Senhor tem que ser
crucificado todo o dia? O pecado já foi vencido de uma vez para sempre? Qual a
razão das doenças no corpo humano? Não são em função da queda no jardim do
Édem?
Se o
pecado foi vencido na cruz, a doença física teria que também ter sido vencida
na cruz. Foi? Não! Foi a doença da alma do homem que foi vencida na cruz. Sim,
foi a cura da maior enfermidade que se conhece no mundo: o pecado da
humanidade, através de Adão.
O
apóstolo Pedro, escrevendo à igreja de seus dias, disse na sua primeira carta
no capítulo 1 versículos 21 a 25 o seguinte:
“...
Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em
vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não
cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando
ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas
entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo,
sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados,
vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. Porque estáveis
desgarrados como ovelhas; agora, porém vos convertestes ao Pastor e Bispo da
vossa alma.”
Observe
que o apóstolo Pedro, usa praticamente a mesma expressão que Isaías usou! A
cura foi da alma, não do corpo.
A cura
completa do corpo só se dará, quando a Igreja for tirada da terra para estar
para sempre com o Senhor. Isto nos afirma o apóstolo Paulo na sua primeira
carta aos Coríntios no capitulo 15 versículos 51 a 56 o seguinte:
“Eis vos
digo um mistério; nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num
abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os
mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é
necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o
corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se
revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da
imortalidade", então se cumprirá a palavra que está escrita: (Is 25:8)
“Tragada
foi a morte pela vitória. Onde está ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte,
o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado. E a força do pecado é a lei.” O pecado é a doença e a
enfermidade levadas por Jesus sobre si na cruz do Calvário. Graças a Deus por
isto!
Você
entende por que a igreja está nesta situação atual? São ensinamentos, que uma
vez já foram rechaçados pela igreja, que tornam a vir à existência, causando
dúvidas e confusão no meio do povo de Deus.
A
confissão positiva ensina que você tem um conhecimento que não é revelado a
outros. Só os que professam tal doutrina, a doutrina da fé na fé, é que podem
receber tal “revelação de Deus”. Gnosticismo puro!
A carta à
igreja em Tiatira
Tiatira
era a menor das sete cidades. Não tinha nenhum templo devotado ao culto dos
imperadores, de sorte que os cristãos não eram tão perturbados por aquele culto
como as igrejas precedentes. O problema desta igreja centralizava-se nas
situações comprometedoras criadas pelos interesses comerciais.
Tiatira
era uma cidade industrial, célebre pelos seus muitos grêmios comerciais. Era
tão necessário unir-se a essas sociedades como é para o artesão hodierno, ser
membro do seu determinado sindicato comercial; de outra forma, envolvia um
ostracismo que tornaria quase impossível seu negócio.
A
dificuldade no caminho do cristão que se unia a tais grêmios era necessidade de
participar das periódicas refeições comuns quando se comia carne que fora
dedicada à deidade pagã (talvez o padroeiro do seu grêmio). Pode-se entender
que certos cristãos liberais não hesitariam em participar de tais festividades,
alegando que “um ídolo não é nada” (I Co 8:4)
Logo, a
desculpa podia achar-se pela licenciosidade em que muitas vezes estas refeições
culminavam, e o próximo passo seria participar da devassidão geral. Isto era
geralmente aconselhado pelos nicolaítas, e pode-se entender como isto
encontrava fácil aceitação em Tiatira, onde a frase “negócio é negócio” seria
bem aceita.
Qual era
o erro ou doutrina herética ensinada em Tiatira, que motivou a advertência ao
Pastor desta Igreja? Diz o Texto:
“Tenho,
porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se
declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a
praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos. Dei-lhe
tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua
prostituição.” (Ap
2:20-21)
A
profetisa que propaga o ensino dos nicolaítas é simbolicamente chamada Jezabel,
pois a rainha daquele nome tentou estabelecer um culto idólatra em lugar do
culto a Jeová e ela mesma foi acusada de prostituição e feitiçaria (2 Rs 9:22)
Alguns
manuscritos inserem a expressão “tua mulher Jezabel”, dando
nitidamente a impressão de ser ela mulher do anjo, administrador, Pastor
daquela igreja.
Há neste
texto, três expressões que saltam aos olhos do leitor ávido por conhecimento.
São elas:IDOLATRIA, PROSTITUIÇÃO E FEITIÇARIA.
IDOLATRIA
Qualquer
coisa que se interponha entre Deus e o homem, no sentido da adoração, que não
seja Jesus Cristo, é idolatria. Qualquer coisa que receba o louvor ou adoração
que só pertencem a Deus é ídolo, seja pessoa, objeto, animal, plantas, astros
estelares, montes, vales ou qualquer outra coisa.
Assim
sendo, passamos a seguinte indagação: O povo evangélico tem ídolos? O povo
evangélico pratica a idolatria? Sim ou Não? A resposta é Sim!
Todo o
homem ou mulher, que se diz servo de Deus, que se diz adorador de Deus, que diz
temer e tremer diante da presença de Deus, mas recebe a glória que é outorgada
a ele, é um IDOLO!
Observe
atualmente o que acontece no meio musical evangélico, ou seria “gospel”?
Já não temos mais cultos e sim Shows! Todo show tem um ARTISTA, UM IDOLO
PRESENTE.
A reação
das platéias é idêntica aos shows produzidos por músicos e artistas mundanos.
Há gritos, assobios, desmaios, histeria coletiva, tudo o que se vê em shows
produzidos por grandes artistas mundanos. Quando as pessoas, que se dizem
evangélicas agem desta forma, estão criando seus próprios IDOLOS! Onde Deus
entra nesta “louvação”?
A Bíblia
registra um episódio, em que o rei Herodes, homem de grande oratória,
colocou-se um dia diante da multidão para proferir um discurso. A sua oratória
foi tão arrebatadora que a multidão começou a ovacioná-lo dizendo ser “voz
de Deus e não de Homem” o que estavam ouvindo.
Diz-nos o
texto sagrado do Novo Testamento, que imediatamente após ter recebido esta “louvação”,
Herodes caiu da tribuna em que estava comido de bichos! (At 12:20-25) Ele não
morreu de imediato, mas segundo os historiadores do NT, foi quatorze dias de
agonia, sendo literalmente devorado por vermes famintos! Por quê? Porque
recebeu a glória que era devida somente a Deus! O próprio Deus disse: “A
minha glória eu não darei a outrem.” (Is 42:8)
PROSTITUIÇÃO
Na Bíblia
a prostituta aparece como uma aventureira que arrasta os homens à ruína (Pv
23:27). Uma sociedade ou nação ímpia e idólatra é comparada a uma prostituta
coletiva (Ap 17:5,15-17)
Uma prostituta
sabe seduzir mortalmente (Na 3:4). Nações foram assemelhadas a prostitutas,
devido às suas imoralidades e à sua idolatria (como Nínive, Na 3:4; ou Tiro, Is
23:15-17). A idolatria é prostituição, tal como sucede à apostasia (ver Is
1:21; Jr: 13.27; Ez 16:16; Os 1:2)
O que
entendemos é que quando o homem cria uma divindade para si ou um ídolo para si,
ele está prostituindo-se, após outros deuses.
Também
entendemos, que o vocábulo grego Porneía, que traduzido quer dizer “prostituição”,
refere-se à prostituição no sentido sexual, ou seja, mercadejar o corpo em
troca de dinheiro. Seja a prostituição masculina ou feminina, ela é condenada
por Deus.
Repetindo:
A idolatria leva à prostituição, ou seja, o povo de Deus quando cria um ídolo
para si, está prostituindo-se após outros deuses ou deus!
Reflita
um pouco e responda-me: “Não é isto o que atualmente acontece no meio
evangélico?”
FEITIÇARIA
A Bíblia
menciona a feitiçaria, como pratica abominável, bem como menciona uma atitude
que é comparada ao pecado de feitiçaria.
Eu venho
de uma família que no passado antes de conhecer o Senhor Jesus, era espírita.
Conheço muitos rituais do espiritismo e para meu espanto e descrença estou
vendo muitos deles serem praticados no meio neopentecostal e por que não dizer
até mesmo no meio pentecostal.
Onde se
tem o hábito de colocar copo com água, para ser energizado ou receber fluidos
positivos? No espiritismo. Onde se usa sal grosso para afastar mal olhados e
maus fluídos? No espiritismo. Onde se usam fitas coloridas, usadas como
amuletos? No espiritismo e no catolicismo sincretista. Onde se usa galho de
arruda para fazer descarrego? No espiritismo. Onde se usa fazer sessão de
descarrego? No espiritismo. Onde se usa roupas brancas, religiosamente falando,
para poder comandar uma sessão? No espiritismo. Onde acontecem manifestações
que levam o fiel a ficar girando como pião, até cair em transe? No espiritismo.
Onde acontecem manifestações que levam o fiel a cair violentamente no chão? No
espiritismo. Onde se usam pandeiros e palmas para marcar o ritmo, enquanto os
fiéis rodopiam? No espiritismo. Onde se levam peças de roupas, fotos ou objetos
de uso pessoal para se fazer um trabalho sobre eles? No espiritismo.
É muita
coisa que nada tem e nunca teve relação com o culto de adoração a Deus!
Eu
poderia estender-me um bocado, mostrando práticas espíritas e sua relação
correlata com o meio evangélico nos dias de hoje.
De onde
tiraram estas ideias malignas? De cultos idolatras! Da Bíblia não foi!
Querer
usar objetos, amuletos, fotografias ou outros em um culto, já foi motivo de
muita polêmica no meio cristão. A igreja católica oriental, diferente da Igreja
Romana, é responsável pela iconolatria, esta se desculpa dizendo não ser
idólatra, mas iconólatra. O que isto quer dizer?
Dizem
eles que os objetos ou fotos ou quadros retratando pessoas colocadas a sua
frente, servem somente para elevar os seus pensamentos a Deus e não
transformá-los em objetos de adoração. Dá na mesma, quando não, os transforma
em praticantes de feitiçaria.
Alguns se
defendem usando o episódio dos lenços e aventais do apóstolo Paulo que foram
levados e colocados sobre enfermos, diante dos quais as enfermidades fugiam das
suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam. (At 19:12), contudo é
preciso se entender que isto não era costume da igreja primitiva, foi um caso
isolado, não se constituiu em “doutrina” nem tampouco foi
usado pelos pais da igreja, já no século seguinte, século II.
Outra
coisa de suma importância: O livro de Atos é um livro histórico, não
doutrinário, e em hipótese alguma se deve fazer doutrina em cima de fatos
históricos!
A outra
vertente da feitiçaria mencionada na Bíblia tem a ver com a “rebelião”.
Na
Bíblia, há um texto, onde lemos que Miguel quando disputava o corpo de Moisés
com Satanás, não ousou pronunciar juízo de blasfêmia e nem desacato contra ele.
(Jd 5-16)
Desobedecer
intencionalmente a orientação da palavra de Deus, julgando-se superior as
potestades, pronunciando contra elas juízos de blasfêmia, zombaria, escárnios,
submissão física para fazer delas espetáculo, ridicularizar as potestades ou
coisas semelhantes, é como pecado de feitiçaria!
Não é
isto que temos presenciado na mídia televisivos, nos meios que se dizem
evangélicos?
Não estão
eles praticando um culto sincrético?
O que é
sincretismo? Sincretismo é a mistura de cultos religiosos em uma só celebração.
Eu li
recentemente um artigo do Pr. Augustus Nicodemus Lopes. Intitulado “A
alma católica dos evangélicos no Brasil”, que transcrevo aqui na íntegra.
A ALMA
CATÓLICA DOS EVANGÉLICOS NO BRASIL
Postado
por Augustus Nicodemus Lopes às 16h45min
Os
evangélicos no Brasil nunca conseguiram se livrar totalmente da influência do
Catolicismo Romano. Por séculos, o Catolicismo formou a mentalidade brasileira,
a sua maneira de ver o mundo ("cosmo visão"). O crescimento do número
de evangélicos no Brasil é cada vez maior – segundo o IBGE, seremos 40 milhões
esse ano de 2006 – mas há várias evidências de que boa parte dos evangélicos
não tem conseguido se livrar da herança católica.
É um fato
que conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica numa mudança espiritual
e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa
vê o mundo. Alguém pode ter sido regenerado pelo Espírito e ainda continuar,
por um tempo, a enxergar as coisas com os pressupostos antigos. É o caso dos
crentes de Corinto, por exemplo. Alguns deles haviam sido impuros, idólatras,
adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e
roubadores. Todavia, haviam sido lavados, santificados e justificados "em
o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1Co 6:9-11)
sem que isso significasse que uma mudança completa de mentalidade houvesse
ocorrido com eles. Na primeira carta que lhes escreve, Paulo revela duas áreas
em que eles continuavam a agir como pagãos: na maneira grega dicotômica de ver
o mundo dividido em matéria e espírito (que dificultava a aceitação entre eles
das relações sexuais no casamento e a ressurreição física dos mortos –
capítulos 7 e 15) e o culto à personalidade mantida para com os filósofos
gregos (que logo os levou a formar partidos na igreja em torno de Paulo, Pedro,
Apolo e mesmo o próprio Cristo – capítulos 1 a 4). Eles eram cristãos, mas com
a alma grega pagã.
Da mesma
forma, creio que grande parte dos evangélicos no Brasil tem a alma católica.
Antes de passar às argumentações, preciso esclarecer um ponto. Todas as
tendências que eu identifico entre os evangélicos como sendo herança católica,
no fundo, antes de serem católicas, são realmente tendências da nossa natureza
humana decaída, corrompida e manchada pelo pecado, que se manifestam em todos
os lugares, em todos os sistemas e não somente no Catolicismo. Como disse o
reformado R. Hooykas, famoso historiador da ciência, “no fundo, somos todos
romanos” (Philosophia Liberta, 1957). Todavia, alguns sistemas são mais
vulneráveis a essas tendências e as absorveram mais que outros, como penso que
é o caso com o Catolicismo no Brasil. E que tendências são essas?
(1) O
gosto por bispos e apóstolos – Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a
autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos
(padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os
sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem
revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que
provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e
veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas,
rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos
próprios evangélicos de bispos e apóstolos autonomeados, mesmo após Lutero ter
rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina
reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre
clérigos e leigos ainda não permearam a cosmo visão dos evangélicos no Brasil,
com poucas exceções.
(2) A
idéia que pastores são mediadores entre Deus e os homens – No Catolicismo, a
Igreja é mediadora entre Deus e os homens e transmite a graça divina mediante
os sacramentos, as indulgências, as orações. Os sacerdotes católicos são vistos
como aqueles através de quem essa graça é concedida, pois são eles que, com as
suas palavras, transformam, na Missa, o pão e o vinho no corpo e no sangue de
Cristo; que aplicam a água benta no batismo para remissão de pecados; que ouvem
a confissão do povo e pronunciam o perdão de pecados. Essa mentalidade de
mediação humana passou para os evangélicos, com algumas poucas mudanças. Até
nas igrejas chamadas históricas os crentes brasileiros agem como se a oração do
pastor fosse mais poderosa do que a deles, e que os pastores funcionam como
mediadores entre eles e os favores divinos. Esse ranço do Catolicismo vem sendo
cada vez mais explorado por setores neopentecostais do Evangelicalismo, a
julgar por práticas já assimiladas como “a oração dos 318 homens de Deus”, “a
prece poderosa do bispo tal”, “a oração da irmã fulana, que é profetisa”, etc.
(3) O
misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados – O Catolicismo no Brasil,
por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e
superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos uso de
relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água
benta, entre outros. Hoje, há um crescimento espantoso entre setores
evangélicos do uso de copo d’água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras
abençoadas, pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de
entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água
do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão),
o cajado de Moisés... É infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a
credulidade do povo. Esse fenômeno só pode se explicado, a meu ver, por um
gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos.
(4) A
separação entre sagrado e profano – No centro do pensamento católico existe a
distinção entre natureza e graça idealizada e defendida por Tomás de Aquino, um
dos mais importantes teólogos da Igreja Católica. Na prática, isso significou a
aceitação de duas realidades coexistentes, antagônicas e frequentemente
irreconciliáveis: o sagrado, substanciado na Santa Igreja, e o profano, que é
tudo o mais no mundo lá fora. Os brasileiros aprenderam durante séculos a não
misturar as coisas: sagrado é aquilo que a gente vai fazer na Igreja: assistir
Missa e se confessar. O profano – meu trabalho, meus estudos, as ciências –
permanece intocado pelos pressupostos cristãos, separado de forma estanque. É a
mesma atitude dos evangélicos. Falta-nos uma mentalidade que integre a fé às
demais áreas da vida, conforme a visão bíblica de que tudo é sagrado. Por
exemplo, na área da educação, temos por século deixado que a mentalidade
humanista secularizada, permeada de pressupostos anticristãos, eduque os nossos
filhos, do ensino fundamental até o superior, com algumas exceções. Em outros
países os evangélicos têm tido mais sucesso em manter instituições de ensino
que além de serem tão competentes como as outras, oferecem uma visão de mundo,
de ciência, de tecnologia e da história oriunda de pressupostos cristãos. Numa
cultura permeada pela ideia de que o sagrado e profano, a religião e o mundo,
são dois reinos distintos e frequentemente antagônicos, não há como uma visão
integral surgir e prevalecer a não ser por uma profunda reforma de mentalidade
entre os evangélicos.
(5)
Somente pecados sexuais são realmente graves – A distinção entre pecados
mortais e veniais feita pelo romanismo católico vem permeando a ética
brasileira há séculos. Segundo essa distinção, pecados considerados mortais
privam a alma da graça salvadora e condenam ao inferno, enquanto que os
veniais, como o nome já indica, são mais leves e merecem somente castigos
temporais. A nossa cultura se encarregou de preencher as listas dos mortais e
dos veniais. Dessa forma, enquanto se pode aceitar a “mentirinha”, o jeitinho,
o tirar vantagem, a maledicência, etc., o adultério se tornou imperdoável. Lula
foi reeleito cercado de acusações de corrupção. Mas, se tivesse ocorrido uma
denúncia de escândalo sexual, tenho dúvidas de que teria sido reeleito, ou que
teria sido reeleito por uma margem tão grande. Nas igrejas evangélicas – onde
se sabe pela Bíblia que todo pecado é odioso e que quem guarda toda a lei de
Deus e quebra um só mandamento é culpado de todos – é raro que alguém seja
disciplinado, corrigido, admoestado, destituído ou despojado por pecados como
mentira, preguiça, orgulho, vaidade, maledicência, entre outros. As disciplinas
eclesiásticas acontecem via de regra por pecados de natureza sexual, como
adultério, prostituição, fornicação, adição à pornografia, homossexualismo,
etc., embora até mesmo esses estão sendo cada vez mais aceitáveis aos olhos
evangélicos. Mais um resquício de catolicismo na alma dos evangélicos?
O que é
mais surpreendente é que os evangélicos no Brasil estão entre os mais
anticatólicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa
polêmica) o Brasil é um dos poucos países onde convertidos do catolicismo são
rebatizados nas igrejas evangélicas. O anti-catolicismo brasileiro, todavia, se
concentrou apenas na questão das imagens e de Maria, e em questões éticas como
não fumar, não beber e não dançar. Não foi e não é profundo o suficiente para
fazer uma crítica mais completa de outros pontos que, por anos, vêm moldando a
mentalidade do brasileiro, como mencionei acima. Além de uma conversão dos
ídolos e de Maria a Cristo, os brasileiros evangélicos precisam de conversão na
mentalidade, na maneira de ver o mundo. Temos de trazer cativo a Cristo todo
pensamento e não somente os nossos pecados. Nosso cosmo visão precisa também de
conversão (2Co 10:4-5).
Quando
vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais
católicas de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando
para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas, me pergunto se,
ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um
filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neocatolicismo tardio que surge
e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma católica.
Como pode
a igreja sobreviver espiritualmente sadia, com todas estas praticas em seu
meio? Só poderia ter recebido uma advertência da parte de Deus!
A carta à
igreja em Sardes
Sardes
era uma cidade de glória deslustrada. Outrora tinha sido a capital do antigo
reino da Lidia, mas entrou em ocaso, depois da conquista persa, até que Tibério
a reconstruiu depois de um terremoto. A cidade era célebre por duas coisas: a
sua indústria de tintura e lã, e a libertinagem.
A igreja
em Sardes parece refletir a história da cidade. Houve tempos quando tinha um
nome para progresso espiritual, mas agora era sem vida; a libertinagem
caracterizava tantos os cristãos como os pagãos, de sorte que ali havia poucas
pessoas que não tinham contaminado os seus vestidos, isto é, manchado a sua
profissão cristã. Consequentemente, ela foi censurada com uma severidade
igualada somente na carta aos laodicenses.
É de
supor que os cristãos contaminavam os seus vestidos acomodando-se aos costumes
pagãos dos seus próximos.
Estamos
vendo a igreja brasileira, adotando práticas estranhas ao meio evangélico, no
afã de conquistar almas para o reino de Cristo.
Muitos se
valem de um texto do apóstolo Paulo escrito à igreja em Corinto (1 Co 9:19:23),
para justificar as suas ações. Temos conhecimento de igrejas que promovem
bailes “Gospel”, festas juninas ou julinas, concurso de piadas,
isto mesmo, concurso de piadas, liberalização e tolerância da prática sexual
pré-casamento, tolerância no uso de entorpecentes, tolerância de casamento
misto, em pleno desacordo com a palavra de Deus que proíbe o jugo desigual,
bingos com sorteio de veículos, para estimular a presença dos fiéis nos cultos,
igrejas com caixa dois na tesouraria, pastores que mandam contadores
manipularem os seus vencimentos, com falsas informações e fraudes para burlarem
o Imposto de Renda.
Não vamos
aqui nominar igrejas, mas recentemente todos fomos testemunhas dos escândalos
financeiros que atingiram determinada instituição religiosa, levando inclusive
os seus lideres e fundadores à prisão, fora do Brasil. Há inclusive igrejas,
sobre as quais pesa até hoje a acusação de serem verdadeiras lavanderias do
tráfico internacional de drogas.
Qual
punição seria aplicada aos membros da igreja de Sardes, que estavam agindo
desta maneira? O texto de (Ap 3:5), sugere que muitos dos seus membros teriam
os seus nomes riscados do Livro da Vida. Isto se aplica também nos nossos dias!
O Senhor
Jesus disse o seguinte: "Acautelai-vos
dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por
dentro são lobos roubadores. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se,
porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa
produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa
produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. Toda árvore que não
produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim, pois, pelos seus frutos os
conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus,
mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos, naquele dia,
hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu
nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos
milagres? Então lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de
mim, os que praticais a iniqüidade.” (Mt 7:15,23)
Carta à
igreja em Filadélfia
Filadélfia
era uma cidade da província romana da Ásia, na porção ocidental do que agora é
a Turquia Asiática. Ficava localizada a cento e vinte quilômetros a sul este de
Sardes. Nos tempos do NT, era a segunda cidade mais importante da Lídia.
Originalmente,
a cidade foi fundada por Eumenes, rei de Pérgamo, no século II A.C., tendo
recebido nome de seu irmão, Atalo, cuja lealdade lhe ganhara o título de “Filadelfo”.
Filadélfia jazia perto do limiar de um trecho fértil da região do planalto, o
que lhe dava grande parte de sua prosperidade. No ano de 17 D.C., a cidade foi
destruída por um terremoto; mas uma doação imperial ajudou em sua restauração.
Devidos
aos frequentes terremotos, a população de Filadélfia era pequena. A igreja
parece ter sido numericamente fraca (ver vers. 8, “tendo pouca
força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome”).
Não há
nenhuma alusão à perseguição das autoridades pagãs nem a heresias dentro da
igreja. Em contraste notável à carta que precede e à carta que se lhe segue,
não há repreensão nem advertência do Senhor para esta igreja, mas apenas
elogios e exortação.
A igreja
para ser vitoriosa, em sua peregrinação aqui no mundo, deve seguir os passos e
exemplos dos crentes da igreja em Filadélfia. Cidade pequena, igreja pequena,
mas gigante em sua fé, no meio de uma cidade perversamente corrompida.
Isto nos
mostra, que não é necessário ser uma mega igreja, para que Deus possa
manifestar o seu poder. Há uma ideia muito errada, que igreja abençoada é
aquela que é gigante numericamente falando; a igreja de Filadélfia mostra o
contrário.
O que a
igreja precisa é guardar todos os preceitos e mandamentos do Senhor, mesmo que
seja insignificante em termos numéricos! O próprio Senhor Jesus disse que onde
estiverem dois ou três, ele estaria no meio deles!
Carta à
igreja em Laodicéia
Laodicéia
era situada á margem dum rio e ficava no entroncamento de três estradas que
atravessavam a Ásia Menor. De modo natural, ela se tornou um grande centro
comercial e administrativo. Distava 160 km de Éfeso, e 80 km de Filadélfia.
Perto de Laodicéia havia fontes de água mineral morna e que provocava vômito,
que o viajante sedento rejeitaria com nojo. (V.16)
Três
fatos que se conhecem acerca da cidade, lançam luz sobre esta carta:
·
Era um
centro bancário de fabulosas reservas financeiras.
·
As
indústrias principais eram de tecidos e tapetes de lã.
·
Possuía
também uma faculdade de medicina.
A igreja
não era acusada de imoralidade, nem de idolatria, nem tão pouco de franca
apostasia (perseguição era desconhecida em Laodicéia). A terrível condenação
que se pronunciava sobre ela era devido ao orgulho e autossatisfação do
elemento pagão dentro da igreja de sorte que sua comunhão com Cristo se
enfraqueceu tragicamente.
A
mensagem da carta à igreja de Laodicéia tem sido vista, tradicionalmente, como
uma advertência clássica contra uma igreja corrupta e míope, dotada de uma fé
cristã superficial.
O que se
pode entender com esta carta?
Simbolicamente,
devemos entender que a igreja que merece somente ser vomitada da boca de Cristo
pode ser qualquer igreja, qualquer denominação, qualquer indivíduo que
encontrou satisfação em uma coisa que não o Senhor. Por igual modo, a
congregação local ou pessoa que apostata de Cristo, está nesta situação.
As
pessoas podem seguir o ateísmo ou heresias nas crenças e na prática diária.
Existem muitos crentes professos que são ateus práticos, porquanto agem como se
Deus não existisse. Em seu credo, afirmam que “Deus existe”. Mas em suas vidas
asseveram que “Deus não existe”. (V. 17 ...pois dizes:
Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és
infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.) Esses são os filhos
espirituais da igreja de Laodicéia.
A igreja
dos dias atuais está substituindo a dependência de Deus pela abundância de
riquezas materiais. Não é mais necessário ser salvo, mas ser rico, pois dizem
que a riqueza traduz a benção da salvação na vida daquele que a possui.
Porém
Jesus disse que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que
um rico entrar no reino dos céus, Marcos 10.25. Não é pecado ser rico! O pecado
está em se tornar autossuficiente, achando que as riquezas trarão segurança
espiritual.
A igreja
de Laodicéia é um contraste com a igreja de Esmirna: Laodicéia uma igreja rica,
porém desprovida da graça de Deus, Esmirna uma igreja pobre, porém cheia e
abundante da graça de Deus.
Tudo o
que precisamos para ser salvo, não é o dinheiro, mas ter o perdão de Deus na
nossa vida e o nome escrito no livro da vida! Muitos têm sido enganados, com
promessas de prosperidade e riquezas por falsos apóstolos, que nada mais são do
que mercenários, que não tem compaixão do rebanho, arrancando-lhes a pele, a
lã, o leite e tudo mais que as ovelhas possam oferecer, tiram tudo o que podem,
prometendo aos incautos que dando o seu “tudo” o seu “melhor”,
receberão cem vezes mais da parte de nosso Deus.
É uma
mentira deslavada, uma fraude completa, uma distorção proposital da palavra de
Deus. Para estes disse o apóstolo Pedro: “Assim como, no meio do
povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres,
os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de
renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina
destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e por causa deles,
será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão COMÉRCIO
DE VÓS, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não
tarda, e a sua destruição não dorme." (I Pe 2:1,3)
Assim
concluindo, podemos estar certos de que a igreja de Laodicéia em vez de
incorporar em si mesma qualquer bem que havia nas demais igrejas estão
investidas somente de todos os seus males. Não tem amor, pois abandonou seu
primeiro amor (maldade em Éfeso).
Habita
onde está o trono de Satanás, tendo sido apanhada na imoralidade de Balaão
(como sucedia em Pèrgamo). Tolera e entroniza a Jezabel, por ser abertamente
maligna e entregue ao paganismo (como se via em Tiatira). Poderá ter nome de
ser uma igreja viva, mas na realidade está morta (como em Sardes).
Não
compartilha das características do remanescente fiel de Filadélfia, mas antes,
na realidade, é a “sinagoga de Satanás”, que perseguia aos fiéis
crentes filadelfianos. Mostra-se distintamente miserável, pobre, cega e nua.
Esqueceu-se da fonte de águas vivas. Haverá algum vencedor nessa igreja?
Este é o
retrato da igreja de hoje! Que Deus tenha misericórdia do rebanho remanescente,
que está espalhado por este Brasil a fora, levantando verdadeiros pastores que
amem o Senhor e a sua igreja, fazendo-a voltar aos princípios que mercenários,
ladrões e salteadores a espoliaram e despojaram-na! A sã doutrina!
Pr.
Ubirajara Quintino
Pastor Titular Igreja Evangélica Presbiteriana
Ebenézer – Americana/SP.
Fonte: www.iepeamericana.com.br/node/205
Nenhum comentário:
Postar um comentário